Atenção odontológica a pacientes portadores de necessidades especiais
Saúde para todos
O presente texto se trata das dificuldades enfrentadas na assistência odontológica destinada à pacientes portadores de necessidades especiais (PNE), bem como os possíveis métodos para que sejam superadas. Para discutir este tema várias fontes foram utilizadas, dentre elas, citaremos os estudos de Carvalho e Araújo (2004), Silva e Colaboradores (2005), Cancino e colaboradores (2005), Resende e colaboradoes (2005), Oliveira (2004), Oliveira (2002), Oliveira e colaboradores (2008) e Gonçalves (2004).
De acordo com Carvalho e Araújo (2004) PNE são considerados pacientes especiais, no contexto da odontologia, porque, "devido ao seu desvio de padrão de normalidade, necessitam de atenção particular e abordagens especificas por um período de sua vida ou indefinidamente". Através dessa definição o assunto a ser abordado será mais facilmente compreendido.
O trabalho de Silva e colaboradores (2005) considera que atualmente existe uma maior inclusão dessa parcela da população no setor odontológico, visto que, de acordo com os autores, esses pacientes "(...) estão cada vez mais presentes na prática diária do cirurgião-dentista" fato possivelmente explicado pelo aumento na expectativa de vida. No entanto são apontadas várias dificuldades no que diz respeito ao atendimento dessas pessoas como qualificação do dentista, relacionamento paciente-pofissional e necessidade de adequações ergonômicas nos consultórios (portas largas, corrimão de apoio durante a locomoção, rampa para cadeiras de rodas, consultórios térreos, dentre outros), o que pode prejudicar a qualidade do atendimento. Afirmam ainda que à atenção a esses pacientes requer um conhecimento que vai adiante do específico da área odontológica, expondo que "além do conhecimento técnico, para que se possa compreender e agir com os aspectos comportamentais, precisamos fazer uso de recursos em outras áreas como uso da psicologia". Todavia neste mesmo trabalho há referência a uma pesquisa, realizada por outro autores, onde os resultados contradizem a afirmação que o atendimento pode ter sua qualidade inferiorizada, é assim apresentada:
Casamassimo, et al (2004) realizaram um estudo no qual reforçam a dificuldade encontrada pelos cirurgiões-dentistas em atender pacientes com limitações. A pesquisa mostrou que apenas um em cada quatro profissionais, os quais puderam trabalhar durante a gradução com esse tipo de paciente, não apresentavam obstáculos no atendimento dessas crianças. Os autores concluíram que fatores como falta de habilidade do profissional ou o comportamento pouco cooperativo desses pacientes não são justificativas para um atendimento ineficaz e com pouca qualidade.
Com base no que foi descrito, pode-se dizer que as dificuldades estão realmente presentes, mas não devem servir de motivo para que à assistência ao PNE seja comprometida.
Além destas, existe também a recusa dos profissionais a atenderem esse tipo de paciente e Cancino e colaboradores (2005) listam algumas razões para tais atitudes, sendo estas:
(1) Insuficiente qualificação, tanto na Graduação quanto na Pós-graduação, o que resulta em profissionais pouco preparados e desinteressados em tratar desses pacientes; (2) o deslocamento dos pacientes até os locais de atendimento é difícil e exige grandes despesas; (3) as limitações financeiras; (4) a ignorância e/ou a negligência em relação à saúde bucal, tanto das instituições que os acolhem como dos pais e/ ou responsáveis; (5) esses pacientes alteram a rotina do consultório, requerem tempo adicional que não pe remunerado e, por último, podem assustar ou perturbar os demais pacientes.
Apesar de, de acordo com o Código de Ética Odontológica, o profissional tenha o direito de renunciar o atendimento ao paciente, este ato prejudica a consecução do serviço odontológico, já que no mesmo Código encontra-se a determinação que os profissionais devem "Mante atualizados os conhecimentos profissionais, técnicos-científicos e culturais, necessários ao pleno desempenho do exercício profissional.
Resende e colaboradores (2005) acrescentam que existe uma maior predisposição por parte dos pacientes especiais a adquirirem doenças bucais. Justifica-se pela falta de habilidade suficiente para praticar uma higiene oral satisfatóia, não permissão que outras pessoas a realizem, possível presença de movimentos involuntários que dificultam essa atividade, além do tratamento especial advindo dos familiares, manifestando seu carinho oferecendo frequentemente alimntos açucarados. Também como dificuldades encontradas durante o atendimento, apontam que:
(...) o tratamento odontológico dessas pessoas também se torna difícil necessitando de um tempo mais prolongado nas sessões e um número maior delas, além de exigir muito mais paciência e dedicação do operador. Como existe um grande número de pessoas com deficiência mental de baixo poder aquisitivo, elas ficam sem opção de tratamento, dependendo do serviço público.
No trecho acima, vale ressaltar dentre todos os problemas citados, a dependência do serviço público para o tratamento que de acordo com as palavras do autor, pode-se inferir que este se dá de forma precária, e pode estar de certa forma aquém do profissional, pois este pode exercer o seu trabalho de forma eficiente, mas que ainda assim não sendo satisfatório, pois envolve disponibilidade de recursos públicos.
Corroborano com o exposto, Oliveira (2004) apresenta em seu estudo que "a saúde bucal dos pacientes especiais, inclusive no Brasil, é ainda muito precária." E aponta vários motivos para essa situação:
(...) poucos centros especializados na assistência desses pacientes; poucos e raros são os dentistas que se habilitam a fazer esse tipo de tratamento em seus consultórios particulares; o tratamento odontológico visto ser uma intervenção curativa/ restauradora ou cirurgica é bastante oneroso; e principalmente, a falta deeducação, motivação e interesse da família em relação à saúde bucal dessas crianças.
Entretanto, como alternativa de melhorar a condição da saúde bucal de PNE, Oliveira (2004) faz referência a estudos que comprovam a eficiência de programas de educação e motivação da higiene buco-dental para esses indivíduos, demonstrando assimilação de técnica mais adequada para a realização de suas higiene buco-dentais, e fazendo desta um habito. Assim:
(...) os estudos de Corrêa et al, (2002) afirmaram que para lidar com pacientes especiais é importante que se faça um condicionamento psicológico desses, além da avaliação do relacionamento com a família em relação ao paciente, bem como a estimulação de ambos ao tratamento, pois muitas vezes, as crianças portadoras de déficit intelectual são incapazes de cooperar totalmente, mas quando estimuladas conduzidas a maioria consegue seguir as instruções dadas.
Após estudo do trabalho citado fica evidente que existem medidas capazes de amenizar as dificuldades encontradas pelo profissionais, sendo necessária a prática das mesmas pelos envolvidos.
Outra forma de facilitar o trabalho dos cirurgiões-dentistas é a participação dos responsáveis que convivem com os pacientes (PNE), pois assim é possível que se conheça sobre a saúde desses indivíduos, bem como sua rotina e realidade da família (OLIVEIRA, 2002). O autor mostra assim a importância dessa interação para obtenção de bons resultados no tratamento.
Oliveira e colaboradores (2008) apontam em seu trabalho que o cuidado com a saúde bucal do PNE é imprescindível, pois apesar de o descuido não acarretar em risco de morte, causam dor, infecções, complicações respiratórias e problemas mastigatórios. No que diz respeito a estética, características como mau-hálito, dentes mal posicionados, traumatismos, sangramentos gengivais, hábito de ficar com a boca aberta e o hábito de babar podem mobilizar sentimentos de compaixão, repulsa e/ou preconceito, acentuando as atitudes de rejeição social. Desta forma, "considerando-se as diversas manifestações sistêmicas e bucais presentes na síndrome de Down, é primordial que a população acometida seja assistida de forma integral pela equipe de saúde, incluindo a atenção odontológica".
Outro ponto a ser considerado é a interação multidisciplinar, ou seja, "o dentista precisará aprender a trocar novas experiências com outros profissionais sobre seu paciente" (GONÇALVES, 2004).
Por fim, citando novamente o estudo de Cancino e colaboradores (2005), o sucesso de qualquer terapia depende tanto do profissional quanto do paciente. essa relação deve envolver confiança, respeito e solidariedade. Quando a mesma prejudicada de alguma forma, acarreta "na falta de cooperação, piora das condições do paciente e, idéias falsas, tanto a respeito do tratamento quanto da resposta da doença ao mesmo, provocando insatisfação no paciente e induzindo-o a trocar de profissional". Assim, torna-se necessária que uma boa realação seja instituída entre esses sujeitos. Os autores também fazem referência a participação governamental neste trabalho, ou seja, " a necessidade de estratégias políticas que incentivem os profissionais e beneficiem a saúde bucal desses pacientes", através da concessão "de incentivos econômicos para os profissionais e promover programas educativos que proporcionem o conhecimento apropriado das necessidades e, do comportamento desse grupo".
Com base em todos os trabalhos citados pode-se concluir que existe uma série de dificuldades na atenção odontológica, tanto no que diz respeito aos cirurgiões-dentistas quanto aos PNE e seus familiares e pôde-se entender de que forma essas dificuldades se apresentam. Essa parcela de indivíduos representa um grande número na população e necessitam dos mesmos cuidados que os demais indivíduos. E da mesma forma que foram apontadas as barreiras, também se evidenciou várias alternativas para contorná-las. Assim a atenção bucal de PNE deve ser assegurada, de forma a fazer valer a Constituição Federal, que prima pelo direito de todos à sáude.
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De vez em quando virei visitá-los rsss...
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